Essa calça colada,batom vermelho e esse chapéu virado para o lado me lembra filmes de faroeste antigo.
Decidi pelo fim da tarde ir laçar um coração indomável a empreitada é perigosa,mas o medo eu deixo para os fracos,não se deve no momento levar em consideração que ontem eu estava com medo,mas ontem faz muito tempo;deixemos de lado e passemos ao momento presente.
Não posso dizer com exatidão quais são as coisas que fazem de mim o que sou,sei apenas que conheço algumas simples palavras e que estou querendo o coração de um rude peão,isso basta.
Posso não conseguir dominar cavalo brabo,mas ei de convencê-lo que meu trato com as palavras pode faze-lo feliz por muito tempo;ele tem aquele jeito de homem da terra,que não esconde quem é; seu cinto é uma fivela,as botas fazem o arremate da fera.
Pretendo sair fora de linha,vou ser como aquelas selvagens que talvez ele goste de ter,acho que não faz o tipo dele.
Enfim, vou sacudir a noite e fazer muito barulho.Já montei a cavalo uma vez agora farei novamente,fazer da montaria um tipo de vida,vou busca-lo e traze-lo a força para os meus caminhos.
Não deveria ter ouvido minha mãe.:-"Esqueça-o ele não faz parte da sua vida, ele nem ao menos combina com você!"
Merda! não deveria tê-la ouvido,nem ao menos sei onde ele está, mas não tem problema pedindo informações sou capaz de chegar lá.e afinal tenho alguns palpites,a casa dele é uma delas.
Ah!esse caminho interminavél,ele nem sabe que eu estou tão perto. Enquanto o vento sacode meu cabelo,meu coração parece ter um pire-paque.oh!! essas indagações interminavéis sobre nossas vidas,que se danem todas elas.
Não sei fazer comida ainda,bom... nada que eu não possa aprender.
Está anoitecendo e eu perdida no meio do caminho,existe um fio de luz lá na frente...aqui por essa vereda...é essa a casa,ele está sentado,quando ele levantar os olhos e me ver não sei o que poderá acontecer.
Pode ser que está noite não tenha mais fim,o cavalo não é um automovél mas e se eu der uma ré e fugir?!não! isso eu não posso fazer.
Ele me viu!ai meu Deus,vou apear do cavalo, meu batom vermelho ainda está no ponto,fresquinho a espera do beijo que só ele pode me dar;ele estava chorando posso ver a distância a marca de algumas lágrimas bestas derramadas pela mais fria desolação do vazio.
Sem mais explicações apenas disse-me ele:
-Não tenho nada para lhe oferecer,nada sou mais que um homem feito da terra e da coragem,sei fazer da terra brotar café,sei lidar com burro brabo e domar cavalo,lido com boi e vaca e minha terra é está que você pode ver,eu sou alguém que você não pode mudar,a única coisa que posso te dar é amor...se você quiser.
Engoli em seco,perdi a força nas pernas e tive minhas palavras roubadas,numa fração de segundos que mais pareceram com a eternidade,e disse:
-Eu não sei cozinhar,eu já deveria ter aprendido,não sei lidar com a terra e nem domar cavalo selvagem,muito menos lidar com o gado;mas eu vim aqui dizer que não importa quem você é e o que faz,quero apenas que aceite algumas humildes palavras e meus mais verdadeiros sentimentos!
Ele me tomou em seus braços e disse:
-Se é este o preço que terei de pagar,o leilão terminou, arremato a peça e pago dobrado.
E com um beijo a noite apenas começou.
(imagens da web)